O magnésio é um mineral essencial para diversas funções fisiológicas e tem sido amplamente estudado pelo impacto positivo na saúde mental, especialmente em condições como depressão, ansiedade, TDAH (transtorno do défice de atenção com hiperatividade) e declínio cognitivo1,2.
Níveis adequados de magnésio estão associados à melhoria do humor, redução da ansiedade e alívio dos sintomas depressivos3.
O magnésio atua em várias vias neurológicas que influenciam a saúde mental:
• Regulação dos recetores NMDA (N-metil-D-aspartato): O magnésio bloqueia estes receptores, reduzindo a excitotoxicidade causada pelo excesso de cálcio e glutamato, o que pode prevenir danos neuronais associados à depressão4.
• Modulação do sistema GABA (ácido gama-aminobutírico): Promove o relaxamento e a redução da atividade neuronal, contribuindo para a diminuição da ansiedade pela ligação aos recetores GABA5.
• Influência na produção de neurotransmissores: O magnésio é essencial para a síntese de serotonina e dopamina, neurotransmissores diretamente ligados ao humor e bem-estar6.
As fontes alimentares são importantes, porém devido à diminuição do teor de magnésio nos alimentos processados e à saturação dos solos agrícolas, torna-se quase impossível atingir a ingestão diária recomendada apenas pela alimentação sem suplementação7.
A deficiência de magnésio é comum, estimando-se entre 50 e 70% na população portuguesa, e pode contribuir para o desenvolvimento ou agravamento de transtornos mentais8. A suplementação, quando indicada, pode ser uma estratégia eficaz e segura para melhorar a saúde mental. Contudo, é fundamental consultar um profissional de saúde antes de iniciar qualquer suplementação, para avaliação individualizada e orientação adequada.
Os melhores horários para tomar o suplemento de magnésio são à noite, quando tem insónia ou ansiedade, ou de manhã se deseja diminuir a fadiga, cansaço muscular e falta de foco ou atenção durante atividade profissional9.
Há alguns cuidados a ter ou saber antes de iniciar a suplementação com magnésio:
• antes de iniciar a suplementação, recomenda-se garantir que a função renal está equilibrada, uma vez que é através dos rins que o organismo regula naturalmente os níveis de magnésio10;
• evitar associação com fármacos que causam retenção de magnésio (ex: alguns diuréticos, lítio);
• efeitos colaterais com alguma probabilidade de manifestação: diarreia, náuseas e cólicas10.
Referências Científicas
1. Eby GA, Eby KL. Rapid recovery from major depression using magnesium treatment. Med Hypotheses. 2006;67(2):362-370. doi:10.1016/j.mehy.2006.01.047
2. Serefko A, Szopa A, Wlaz P, Nowak G, Radziwoń-Zaleska M, Skalski M, Poleszak E. Magnesium in depression. Pharmacol Rep. 2013;65(3):547–554. doi:10.1016/S1734-1140(13)71039-3
3. Boyle NB, Lawton C, Dye L. The effects of magnesium supplementation on subjective anxiety and stress—a systematic review. Nutrients. 2017;9(5):429. doi:10.3390/nu9050429
4. Vink R, Nechifor M. Magnesium in the Central Nervous System. University of Adelaide Press; 2011.
5. Kirkland AE, Sarlo GL, Holton KF. The role of magnesium in neurological disorders. Nutrients. 2018;10(6):730. doi:10.3390/nu10060730
6. Costello RB, Elin RJ, Rosanoff A, et al. Perspective: the case for an evidence-based reference interval for serum magnesium: the time has come. Adv Nutr. 2016;7(6):977–993. doi:10.3945/an.116.012765
7. Rosanoff A. Magnesium supplements: are they safe and effective? Nutr Today. 2012;47(1):33–37.
8. Gröber U, Schmidt J, Kisters K. Magnesium in prevention and therapy. Nutrients. 2015;7(9):8199-8226. doi:10.3390/nu7095388
9. de Baaij JHF, Hoenderop JGJ, Bindels RJM. Magnesium in man: implications for health and disease. Physiol Rev. 2015;95(1):1–46. doi:10.1152/physrev.00012.2014
10. Schlingloff D, Hegedűs V. Magnesium balance and renal function: Clinical relevance and implications. Kidney Int Rep. 2022;7(5):1153–1162. doi:10.1016/j.ekir.2022.02.016
Artigo elaborado pela Jaba Recordati, S.A. e Embaixadora Nutricionista Dra. Rita Andrade
